30 maio 2026

"A Cidade que previne doenças": Prof. Bazzoli discute territórios saudáveis e planejamento urbano em escala local


No próximo dia 02 de junho, às 14 horas, a Assembleia Legislativa será palco de um debate essencial para o futuro das cidades tocantinenses. O debate integra o evento "Promoção da Saúde em Movimento", que celebra os 20 anos da Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) e os 15 anos da Academia da Saúde. Convidado pela Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins/Diretoria de Atenção Primária, o Professor Bazzoli irá falar sobre o tema: Ambiente e Territórios Saudáveis, promovendo a conversa que intitula "A Cidade que previne doenças: Territórios Saudáveis e a Nova Fronteira da Promoção da Saúde (Planejamento em escala local)".

Bazzoli, especialista com ampla experiência em urbanismo, traz para o encontro também a sua experiência em projetos acadêmicos voltados para a discussão das DANT (Doenças e Agravos Não Transmissíveis). Estas condições, que incluem hipertensão, diabetes, acidentes e violências, são influenciadas diretamente pela forma como o ambiente urbano é organizado e como a sociedade se estrutura.


O Urbano como Agente de Saúde

A abordagem central da conversa propõe um olhar crítico sobre onde as pessoas vivem, partindo do princípio de que o território não é apenas um espaço geográfico, mas uma arena de interações sociais que pode adoecer ou prevenir doenças na população. Segundo o professor, ambientes urbanos mal planejados são responsáveis por uma fatia significativa da mortalidade global devido à falta de saneamento, poluição e ruído. Em contrapartida, cidades que investem em conectividade, calçadas seguras e "ruas calmas" funcionam como agentes terapêuticos, reduzindo riscos de infarto e promovendo o bem-estar através da interação com a natureza. Por isto a importância das Soluções Baseadas na Natureza (SBNs) integrarem o Planejamento das cidades.


Os Motores da Promoção Local

A conversa destacará as escolas como epicentros estratégicos para a constituição de territórios saudáveis. Bazzoli defende o planejamento urbano em escala local e ele deve criar "rotas para a escola" seguras, transformando estudantes em multiplicadores de práticas saudáveis e fortalecendo o letramento em saúde de toda a comunidade.

Outro ponto alto da discussão serão os circuitos agroalimentares urbanos, como as hortas comunitárias e os quintais produtivos. Estas initiatives são apresentadas como ferramentas poderosas contra os "desertos alimentares" nas periferias, garantindo soberania alimentar, gerando renda e protegendo recursos hídricos através da produção agroecológica. O exemplo de Palmas será citado como um caso de sucesso onde as hortas comunitárias urbanas empoderam a população como protagonista de sua própria saúde.


O Plano de Bairro: Inovação e Participação

Como instrumento indispensável para a evolução desse processo, Bazzoli apresentará o Plano de Bairro (ou plano local). Diferente do planejamento tradicional de gabinete, o plano de bairro utiliza metodologias participativas, como o "Método Bambu", para mapear as potencialidades locais a partir da voz de quem realmente vive o território. É a operacionalização da intersetorialidade, onde o planejamento urbano e a saúde pública se encontram para criar pactos de sustentabilidade social.


Cenário no Tocantins

No encerramento da conversa Bazzoli fala sobre iniciativas locais como o "Palmas Ativa" e estratégias de arborização urbana como formas de adaptar metas globais de desenvolvimento sustentável à realidade regional.

Para Bazzoli, promover saúde em movimento exige uma mudança cultural que tire os planejadores de seus escritórios para ouvir as "vozes do território", garantindo que a finalidade última do planejamento urbano seja, invariavelmente, a saúde humana e planetária.

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