O evento contou com a mediação da arquiteta e urbanista Lara Freitas e reuniu três especialistas do planejamento territorial: o urbanista José Aloir (Iniciativa +ATHIS), o professor e advogado João Bazzoli (Universidade Federal do Tocantins) e o professor e arquiteto e urbanista Mauro Claro (FAU-Mackenzie).
Como fazer com que os problemas cotidianos das periferias — como a falta de saneamento, a drenagem ineficiente e a ausência de transporte público — cheguem aos gabinetes municipais e se tornem leis permanentes?
O debate abordou a transição do planejamento tecnicista para a construção coletiva das cidades, conectando as lutas locais ao arcabouço normativo em todas as esferas federativas.
No âmbito federal, o urbanista José Aloir defendeu a alteração do Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001) para que os planos de bairro passem a ser reconhecidos formalmente como instrumentos urbanísticos em todo o país. A proposta prevê a integração metodológica dos planos de bairro para a regulamentação de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), assegurando financiamento público e assistência técnica para capacitar as comunidades na gestão de seus territórios.
Na escala municipal, o professor João Bazzoli apresentou os bastidores do Projeto de Lei nº 03/2026 da Câmara Municipal de Palmas. Fruto de pesquisa de doutorado na Universidade Federal do Tocantins e testado no bairro Jardim Aureny IV, o projeto propõe amarrar os planos de bairro ao ciclo orçamentário do município (PPA, LDO e LOA), além de priorizar soluções de resiliência climática e a formação pedagógica de cidadania urbana nas escolas municipais.
Já na dimensão estadual, o professor Mauro Claro detalhou a elaboração de uma minuta de projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo. A iniciativa visa estabelecer a obrigação e o repasse de recursos estaduais para que municípios de todos os portes desenvolvam planos de bairro, valorizando as diferentes motivações da população e garantindo a escuta direta nos territórios.
Este encontro revela estratégias para descentralizar o planejamento urbano e dar voz ativa aos cidadãos na construção do futuro de seus bairros.
Quer entender como essas propostas legislativas podem transformar a sua rua e a sua comunidade?
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