O Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica) foi palco, neste dia 25 de maio, de uma discussão profunda e urgente sobre um dos maiores dramas sociais do país: o acesso à habitação.
A palestra proferida pelo Prof. João Bazzoli, da Universidade Federal do Tocantins, intitulada “O Sequestro das Cidades: Da Moradia Digna ao Ativo Financeiro” reuniu especialistas e acadêmicos para confrontar a realidade de um sistema que transformou o direito de morar em um produto de especulação.
A palestra proferida pelo Prof. João Bazzoli, da Universidade Federal do Tocantins, intitulada “O Sequestro das Cidades: Da Moradia Digna ao Ativo Financeiro” reuniu especialistas e acadêmicos para confrontar a realidade de um sistema que transformou o direito de morar em um produto de especulação.
O evento organizado pela professora Ana Carla de Lira Bottura, contou com a presença da coordenadora do curso Arquitetura e Urbanismo da UniCatólica, Professora Ludmila Normanha Benedetti Furtado, e objetivou reforçar a missão da Arquitetura e Urbanismo da UniCatólica: formar profissionais aptos a propor soluções inovadoras e sustentáveis para as complexidades regionais e nacionais.
A mesa de debates contou com uma composição plural e estratégica: Bismarque do Movimento, líder do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) e voz ativa nos conflitos sociais do estado; Elias, representante da Secretaria de Habitação da Prefeitura de Palmas; e a professora Olivia de Campos Maia Pereira, Arquiteta e Urbanista, professora da Universidade Federal do Tocantins com vasta produção em habitação de interesse social e participação popular.
O Diagnóstico de uma "Ferida Aberta"
O debate partiu de uma constatação impactante: a moradia é a "porta de entrada para todos os direitos fundamentais", mas o Brasil ainda convive com 6,2 milhões de famílias em déficit habitacional e mais de 328 mil pessoas vivendo em situação de rua. Este cenário está em discussão pela Campanha da Fraternidade/CNBB 2026, que sob o lema “Ele veio morar entre nós”, denuncia a falha do Estado em construir cidades para pessoas.
Historicamente, como apontado nos tópicos da palestra, a habitação nunca foi uma prioridade real dos governantes brasileiros. Desde o regime militar de 1964 com o BNH, as políticas habitacionais têm servido mais ao fomento do mercado da construção civil do que ao cidadão, resultando na periferização forçada dos menos favorecidos.
Palmas e a "Armadilha do Aluguel"
Um dos pontos mais sensíveis da discussão foi a realidade local. Palmas vive uma contradição explícita: enquanto o centro possui milhões de metros quadrados vazios mantidos para especulação, a população é empurrada para periferias a mais de 30 km de distância. Atualmente, a capital tocantinense lidera o ranking nacional com 44,9% de sua população vivendo de aluguel.
O conceito de financeirização foi o ponto chave: os imóveis perderam sua função primordial de abrigo para se tornarem ativos financeiros negociáveis. O mercado descobriu que alugar é mais lucrativo que vender, gerando um salto de 54,1% no número de moradias alugadas no Brasil entre 2016 e 2025. Com preços dos aluguéis subindo o triplo da inflação, famílias comprometem mais de 60% da renda apenas com o teto, tornando-se "prisioneiras da inadimplência".
Caminhos para o Futuro
A palestra encerrou-se com uma reflexão radical sobre as crises globais e climáticas que agravam o futuro urbano. A solução, segundo o professor Bazzoli, não passa por reformas paliativas, mas por desmercantilizar a moradia. Entre as propostas discutidas estão:
- Habitação como Serviço Público: Inspirado no SUS, o Estado deve manter a propriedade e garantir aluguéis sociais subsidiados.
- Regulação Rígida: Controle sobre plataformas de aluguel temporário e congelamento de preços em áreas críticas.
- Propriedade Coletiva: Gestão comunitária onde a posse prioriza o uso social sobre o lucro.

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